Drones na agricultura e inovação no combate ao cancro do castanheiro em destaque no IPB

18 Maio 2026

O IPB e a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) assinaram na passada quinta-feira, na Escola Superior Agrária (ESA), um protocolo de colaboração que permite a renovação, por mais cinco anos, do uso experimental de um produto biológico de combate ao cancro do castanheiro.

O acordo foi formalizado por Orlando Rodrigues, Presidente do IPB, e por Ana Paula Cruz Garcia, Subdiretora-Geral da DGAV através de uma sessão pública que juntou estudantes, investigadores e agricultores. A cerimónia de assinatura contou também com a participação de Eugénia Gouveia, investigadora responsável científica do programa.

O Presidente do IPB congratulou-se pela renovação da autorização concedida pela DGAV para a aplicação experimental do produto por mais cinco anos, destacando o impacto social e económico que este programa representa para a região. Orlando Rodrigues revelou, ainda, que se encontra já em preparação um dossiê técnico-científico para que passados estes cinco anos o produto possa ser homologado e comercializado.

Para a Subdiretora-Geral da DGAV, é de sublinhar a pertinência do trabalho que o IPB tem vindo a desenvolver e a necessidade de ter continuidade. Ana Paula Cruz Garcia agradeceu, ainda, ao IPB “por ser uma instituição virada para os agricultores”.

Já Eugénia Gouveia, apontada pelo Presidente do IPB como “o corpo e a alma deste programa”, deixou um profundo agradecimento aos agricultores pela disponibilidade em participarem neste projeto, que já permitiu o tratamento de 200 mil árvores afetadas por esta problemática que tem vindo a assolar a região e outros territórios produtores de castanha. A investigadora do IPB salientou a importância da regulamentação para a aplicação do produto, uma vez que é uma garantia de que não causa efeitos nefastos no ambiente e nas outras espécies.

Com a assinatura deste protocolo, surge uma redefinição dos termos do contrato que anteriormente regulava a autorização da DGAV concedida ao IPB, perspetivando-se que, no futuro, com a elaboração do dossiê técnico-científico de suporte à aprovação das estirpes hipovirulentas de C. parasitica como substância de controlo biológico, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1107/2009, se possa passar a uma nova fase, a comercialização.

A autorização da DGAV é mais um reconhecimento da relevância científica, técnica e territorial do trabalho desenvolvido pelo IPB nesta área. A implementação deste programa por parte do IPB vem, assim, reforçar o seu compromisso com a investigação aplicada, a inovação agroalimentar e a valorização sustentável dos recursos endógenos, dando um enorme contributo para a proteção da fileira da castanha, estratégica para a economia e para a coesão territorial das regiões do interior.

O DICTIS, produto biológico desenvolvido pelo IPB, tem já autorização da DGAV para ser aplicado, de forma experimental, desde 2015, sendo utilizado nos soutos do Nordeste Transmontano para tratar uma das principais doenças do castanheiro, demonstrando um elevado grau de eficácia na cura das árvores afetadas.

Drones ao serviço da agricultura

Após a cerimónia de assinatura do protocolo, decorreu uma Ação de Divulgação Científica e Técnica subordinada ao tema "Utilização de aeronaves tripuladas e não tripuladas na aplicação de produtos fitofarmacêuticos", onde foram apresentadas duas palestras sobre os constrangimentos e a regulamentação na aplicação de produtos fitofarmacêuticos por drones na agricultura.

A primeira, intitulada “Condicionalismos legislativos europeus e nacionais na aplicação de produtos fitofarmacêuticos por aeronaves tripuladas e não tripuladas (drones)”, foi proferida pela Subdiretora-Geral da DGAV, Ana Paula Cruz Garcia. A segunda, com o título “Regulamentação no âmbito da utilização dos UAS (sistemas de aeronaves não tripuladas) na agricultura”, foi apresentada por Fábio Camacho, Diretor de Aviação Ligeira da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

Ana Paula Cruz Garcia ressaltou que é fundamental que o processo legislativo europeu possa acompanhar a evolução da tecnologia, especialmente o uso de drones na agricultura para aplicação de produtos fitofarmacêuticos, existindo ainda muito para fazer a este nível. Fábio Camacho deu a conhecer os vários usos, benefícios e requisitos para a operação de drones na agricultura, enfatizando a necessidade de os produtores se adaptarem a esta nova realidade para aumentar a produtividade agrícola e reduzir o impacto ambiental da atividade.

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